Páginas

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A Melhor Pior Memória!

Entro em casa, fecho o portão, caminho pela cozinha chegando na sala e olho as escadas... Lembro de você subindo na minha frente, tropeçando no escuro  infinito de meu corredor, em direção ao meu espaço, você entrava, eu entrava, eu tirava a blusa, jogava sua bolsa de um lado, você fingia se entreter com alguma coisa só para eu chegar por trás e te abraçar forte, eu te puxava até minha cama e te beijava, te sentia dentro da minha boca, dentro da minha alma, sentia um determinado tremor em pensar que talvez eu estava sendo o que você não esperava, mas não importa, eu dava meu melhor.

Você olhava o relógio, se assustava, eu pedia pra você ficar, você se atrasava, e ainda não queria deixar-te sair, não só do meu quarto, da minha casa, mas também do momento, da energia, de tudo aquilo que sempre foi tão raro entre nós. A sensação. O Toque. Nada mais importava.

Quando já não havia mais tempo para perder (ou ganhar), saíamos correndo, descíamos as escadas, fazíamos cara de paisagem quando meus pais passavam por nós, e eu te levava embora. Foi assim. Complexo do seu jeito. Simples do seu jeito. Foi bom, ótimo, eterno.

Sinto um nó crescendo em minha garganta ao recordar tais memórias.

Não foi o suficiente, mas eles já haviam nos advertido, já haviam nos gritado, já haviam até nos chacoalhado. Meu maior erro foi não ter segurado a barra, minhas emoções impulsivas, meus medos e inseguranças. Seu maior erro foi não ter acreditado que eu sempre estive aqui por você.

Mas tudo bem (ou tudo mal), já era, já foi (ou já fomos). Tal filósofo me disse por meio de frases que ao pensarmos estamos criando, não é atoa que ainda te vejo na minha frente. O futuro nos espera, novas emoções, novas escadas, novos cantos, novos abraços, talvez até nos esbarremos qualquer dia e eu te pergunte como está a vida, e você finja que não me conhece ou diz estar casada e com dois filhos, é capaz que suba toda a emoção de novo, e antes que possamos pensar já estamos entrelaçados em meio a uma energia trêmula, real, palpável até. Quem poderia saber?

Não sei o que está depois da esquina, mas espero muita luz do que está por vir, tanto pra mim quanto pra você. É hora de crescer, ascender, evoluir, modificar, transmutar, esquecer algumas coisas, lembrar outras, mas o que eu não conseguiria esquecer é essa melhor pior memória que tenho de você.