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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Memórias de uma bela noite

Havia todo um clima de nostalgia, afinal, era um marco em sua história. Você estava em azul, me lembro bem, deslumbrante, todos seus amigos me invejavam perguntando-se o motivo de não serem eles, lembro de ter sentido sua cintura enquanto te carregava pois o solo estava difícil de andar com aquele salto elaborado que deixava-te toda com um ar de mulher.

Sentávamos observando as luzes refletidas na imensidão negra diante de nós, aquela música bem ao fundo, não posso lembrar qual exatamente estava tocando, mas provavelmente uma daquelas que todos sabem a coreografia e a letra sempre está na ponta da língua, todos menos eu, sempre me pergunto se todos simplesmente sabem as letras ou se passam horas e mais horas estudando em sites como o Vagalume, enfim, lembro até de sua amiga chata reclamando estar segurando vela.

Lembro de ter visto seu pai nos observando ao longe, e lembro também de que você tentou me dar um mega beijo bem nessa hora, tive que me afastar, nem foi por querer, mas não achei que Ele estava disposto a assistir tal cena, talvez eu devesse ter arriscado, teria deixado o clima digno de filmes adolescentes que passam na Disney, sei que você os curte, não leve na ofensiva...

Estava um puta calor, talvez tão calor quando hoje, mas o pior era estar dentro daquela beca que deixa todo mundo igual, não posso negar me sentir em um filme tipo James Bond ao vestir um smoking, mas o clima não interessa, pelo menos não hoje.

Depois não sei o que te deu e você resolveu brincar de gato e rato, correndo atrás de suas amigas enquanto eu corria atrás de você, não estava com saco pra isso, estava numa vibe mais lovers, mas acho que você não percebeu...Disfarcei e fui ligar aqui pra casa, pra dizer que estava vivo.

Seu sorriso estava estupendo. Lembro do acessório de cabelo que você usou, coisa nossa, acho que ninguém nunca sacou realmente, tanto faz, meu céu nunca pareceu tão estrelado até aquela noite. Hoje isso tudo já não passa de lembranças.

Lembranças foram feitas para serem lembradas, não é mesmo?! Volto a dizer que não as apagaria, já fazem parte de mim, de minha forma de entender o presente, você estava lá, eu estive lá, porém ouvi dizer que você já não lembra mais, apagou de sua memória, de seus arquivos, do seu ser. Ouvi dizer que para você já não passo de poeira no fundo do guarda-roupa, tudo bem, talvez eu só esteja imaginando isso mesmo, "Adoro um amor inventado" é o que diz um amigo que ás vezes sussurra frases incompreensíveis antes que eu pegue no sono, já não posso confirmar, talvez nós nunca tenhamos existido realmente, talvez...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Nerd... Mas Só?

E entre beijos e pegadas ela solta a seguinte frase, "E você com essa carinha de nerd hein?!", na hora nem dou bola, tenho mais coisas para me preocupar do que em uma frase aleatória, até que depois de algum tempo pego-me pensando no que ela realmente quis dizer com isto.

Cheguei a conclusão de que sim, tenho cara de nerd, mas não só, sou nerd! Mas o que tem de mal nisso? Todo nerd deve ter pegada ruim, ser inexperiente e parecer se importar mais com a equação matemática do que com o grande enigma que é desvendar os gostos de uma garota?

Estamos em uma sociedade que a forma como você se comporta perante seu grupo de amigos, ou como você gosta de se vestir ou andar, é exatamente como te rotularão, talvez o problema seja este, rotular. Qual a necessidade disso? Por que não ser livre para fazer o que quiser quando der vontade sem ter que carregar um título pelo resto da vida? Por quê?

No fim, o rótulo de nerd se transformou em "safado", "tarado", "palhaço", não nego nenhum dos rótulos, mas não sou só isso, tenho mais o que mostrar. O lado "filósofo", o "religioso", o "contestador", o "chato", o "fofo", o "infantil e o "Eu"! Talvez o que eu queira deixar com este texto seja apenas a mensagem do "Prove, antes de dizer que não gosta", ou a história do "Não julgue um livro pela capa", enfim, pra que rotular o intuito deste texto, se ele pode ser interpretado como tudo, ou nada?