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sábado, 6 de abril de 2013

One Night Stand por Gustavo Lacombe

Rolava um clima. Há quem diga que era coisa da minha cabeça, há quem desse força porque estava na cara que ela queria alguma coisa. Depois de doses de coragem, chamei ela pra sair. Vou chamar de "ela" porque a gente não precisa dar nomes nessa história. Guardo pra mim. Eu sempre me senti melhor na posição de esperar a mulher vir falar comigo, ou demonstrar algum interesse bem nítido. Ela era uma experiência de saída da zona de conforto. Às vezes é preciso.


Surpreendente não foi ela aceitar de cara. Acho que quando a gente quer não precisa fazer rodeios. É aquela coisa de ter um interesse e não precisar fazer doce. Depois a outra pessoa desiste e você fica chupando o dedo achando que é bonito se fazer de difícil. Agora, surpreendente mesmo foi, depois da gente ter ido jantar, foi ela virar pra mim e insinuar:
- Eu não tô afim de ir pra casa. - e me olhou. De um jeito. Que jeito.
Tem coisas que a gente não precisa perguntar. O jeito que ela passou a mão na minha coxa quase me fez bater o carro. Só que era muito diferente pra mim sair com uma menina, mesmo sendo uma conhecida de algum tempo, e logo na primeira noite rolar uma transa. Acho que dei sorte. Será?
Não acho que ela seja fácil. E eu também não estou a defendendo só porque foi comigo. Cara, quando dois querem, por que não? Só por que existe um moralismo e um livro de etiquetas dizendo que não pode haver sexo no primeiro encontro? Conheço algumas histórias que deram certo mesmo sem seguir esse livro de regras. E outras que deram errado mesmo a mulher demorando para ceder.
Lá fomos nós, mas sem detalhes do que aconteceu, ok? Foi bom, foi legal. Tá, foi ótimo. A hidro nunca mais será a mesma. A menina parecia que já tinha planejado aquilo na cabeça dela há algum tempo. Não que na minha cabeça eu também não tivesse pensado, mas sei lá. Ela deixou umas duas unhas nas minhas costas e outras marcas espalhadas em mim.
No dia seguinte a gente não se falou, apenas trocamos uma mensagem. Eu disse que tinha gostado, ela respondeu que também e ficou por isso. Durante a semana a gente se esbarrou pelo trabalho, nos falamos normalmente, mas como se nada tivesse acontecido. Quando eu perguntei, durante uma conversa só nós dois, se a gente podia repetir, ela disse:
- Quem sabe? Por agora não. Já matei minha vontade. - e me de um beijo no canto da boca.
É, acho que ela só queria me comer mesmo. É difícil estar do outro lado, né? Tantos homens que dispensam mulheres depois de conseguir o que querem, é estranho ser o outro lado da moeda. Acontece. Pelo menos ela fez uma propaganda. O encontro com ela rendeu um outro encontro, com a prima dela.
Só que aí já é uma história pra outro dia. E que dia.
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