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terça-feira, 20 de maio de 2014

Sua boca pintada de vermelho

E como se tivesse feito só pra me provocar, você apareceu com essa sua postura que me deixa louco, seus cabelos negros mais brilhosos, e sua boca, ah sua boca... pintada de vermelho.

Com certeza eu devo ter te comentado sobre esse meu gosto algum tempo atrás, e definitivamente você fez de propósito. Não é possível alguém estar tão feita para mim, moldada em meus gostos e fetiches,  a forma como você anda sem querer me olhar, ou o jeito como fica séria durante a aula sem querer me dar bola, sim senhorita, você ainda mexe comigo, e ainda me pego imaginando como seria se você rompesse por aquela porta, viesse em minha direção com essa sua cara brava e me tascasse um beijo, não qualquer um, mas um puta beijo. Provavelmente não vai rolar, mas não custa imaginar.



Penso numa forma de te chamar a atenção, de ser pego te olhando, obviamente sem querer, ou de me tornar uma tentação tão tremenda que você quebraria o orgulho e falaria comigo, mas não só falaria, flertaria, do jeito que só você sabe.

Mas isso tudo não passa de pensamentos bobos e maliciosos de um garoto adolescente, não leve a mal, não quero te ofender, mas escrevi esse texto como uma forma de me render não declaradamente. Afinal, quem garante que é sobre você que estou escrevendo?


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Quinta-Feira

E você finalmente apareceu! Não é que O Segredo estava certo?! Chegou chegando, do jeitinho que pedi, tomou a iniciativa de me adicionar enquanto eu ainda nem havia te reparado. Como uma forma de empatar o placar instalado em minha cabeça,  primeiro de março puxei assunto!

Toda explosiva, confusa, fan do John Mayer e engraçada, tão instigante quanto um de meus livros prediletos, mergulhei de cabeça e queria saber o que estaria no fundo deste oceano, e mais uma vez como mágica, o universo conspira a nosso favor e faz daquela noite qualquer, toda uma zorra... Encontro uma conhecida de outros tempos que surge do meio da multidão barulhenta e diz para que eu não vá embora, pede para que eu a siga.

E assim sou levado até você, e toda aquela bagunça de gente andando e falando alto ao redor se torna apenas um zumbido longe, pois agora estou interessado em como você se movimenta dentro de sua blusa laranja que contrasta com seus cabelos pretos ou em como você oscila de determinada e explosiva para tímida e calma.



Em um momento nunca antes planejado, estamos dançando, rindo e nos divertindo por aquelas ruas, falando sobre o nada ou sobre o tudo, contando vontades secretas ou apenas lançando aos ventos pequenas indiretas que seriam entendidas apenas aos mais atentos ouvidos... Você foi encantadora e interessante, seus lábios se tornaram inebriantes e seus olhos, aqueles que não conseguiam me encarar por muito tempo, apaixonantes.

Nosso inesperado encontro se tornou memorável. Um momento cheio de sentimentos e olhares verdadeiros... Nosso único real momento...

Ainda hoje, as vezes, me pego recordando e me perguntando se tudo acontecerá outra vez, com a mesma vontade e explosão de emoções, realmente não sei, imagino que nem você saiba, mas espero que leia este texto para saber que aguardo ansiosamente por este momento, mesmo que tudo não tenha passado de fantasia.

Obrigado por ter surgido, assim, do nada. E por ter rido de minhas piadas e o mais importante, por ter tornado um dia da semana sinônimo de momentos inesperadamente eletrizantes.

segunda-feira, 17 de março de 2014

eu, Artista.

Escrevo sobre libertação, sobre sentimento e emoção. É um processo de expressão artística, não exatamente do que vivi ou passei mas do que senti, da forma que vi a realidade. Não é como se eu mentisse, ou inventasse, só que as vezes a realidade é mais interessante do ponto de vista emocional e psicológico.
A libertação está em registrar essa onda de emoções e pensamentos que eu não conseguiria descrever, mas as vezes ela vem, do nada, já tentei forçá-la, mas ainda não descobri como o fazer. Minha arte está no sentir das emoções, no expressar do inexpressável, de forma que aqueles que entram em contato com meus textos possam entender e muitas vezes tomar uma dose dessa droga alucinógena. 








Minhas musas e personagens existiram e existem, nos sonhos, na imaginação, experiências vividas e as vezes são personificações de momentos, momentos que me fizeram crescer, sentir. Uma coisa é certa, tudo aquilo que me inspira a escrever, ou ao menos ter alguns minutos de reflexão, me faz, ou já me fez crescer, mesmo quando tenha sido algo ruim em que tive que aprender a superar e a contornar.








Essa arte é observar as situações, viver a vida, sentir os sentimentos, dar atenção a isso tudo. Essa é minha arte. Minha forma de ver a vida.

E você, como faz sua arte?












(Todas as pinturas usadas no texto foram feitas por Millie Brown!)




sábado, 28 de dezembro de 2013

Tudo Como Um Sonho

Nunca imaginei que iria te encontrar naquela manhã. Bendito dia em que decidi ir em busca do que precisava, você apareceu aparentando já saber exatamente o que eu queria, me mostrou a direção certa, me levou até lá, me apresentou ao novo sonho.

No fim do dia já estávamos grudados, aquela sensação de que tudo está dando certo, finalmente. Você não imagina quão bom isto é. Quão bom é ver você gargalhando de minhas piadas sem graças, quão bom é ter sua companhia em uma tarde já imaginada. Melhor ainda foi não ter fingido, éramos quem somos, e ninguém precisava desconfiar, porque já estava claro, todos já sabiam em desde o nascer do sol.

Nunca achei que encontraria alguém moldado tão incisivamente para mim. Mas lá estava você, como mágica, inexplicavelmente.

Em uma distração, você estava rindo com meus amigos, se divertindo verdadeiramente, tudo o que eu fiz foi assistir, guardar cada detalhe na mente para poder sorrir de novo quando acordasse na manhã seguinte.

E então, em uma manhã de meio de semana, eu senti tudo começar de novo.






sábado, 6 de abril de 2013

One Night Stand por Gustavo Lacombe

Rolava um clima. Há quem diga que era coisa da minha cabeça, há quem desse força porque estava na cara que ela queria alguma coisa. Depois de doses de coragem, chamei ela pra sair. Vou chamar de "ela" porque a gente não precisa dar nomes nessa história. Guardo pra mim. Eu sempre me senti melhor na posição de esperar a mulher vir falar comigo, ou demonstrar algum interesse bem nítido. Ela era uma experiência de saída da zona de conforto. Às vezes é preciso.


Surpreendente não foi ela aceitar de cara. Acho que quando a gente quer não precisa fazer rodeios. É aquela coisa de ter um interesse e não precisar fazer doce. Depois a outra pessoa desiste e você fica chupando o dedo achando que é bonito se fazer de difícil. Agora, surpreendente mesmo foi, depois da gente ter ido jantar, foi ela virar pra mim e insinuar:
- Eu não tô afim de ir pra casa. - e me olhou. De um jeito. Que jeito.
Tem coisas que a gente não precisa perguntar. O jeito que ela passou a mão na minha coxa quase me fez bater o carro. Só que era muito diferente pra mim sair com uma menina, mesmo sendo uma conhecida de algum tempo, e logo na primeira noite rolar uma transa. Acho que dei sorte. Será?
Não acho que ela seja fácil. E eu também não estou a defendendo só porque foi comigo. Cara, quando dois querem, por que não? Só por que existe um moralismo e um livro de etiquetas dizendo que não pode haver sexo no primeiro encontro? Conheço algumas histórias que deram certo mesmo sem seguir esse livro de regras. E outras que deram errado mesmo a mulher demorando para ceder.
Lá fomos nós, mas sem detalhes do que aconteceu, ok? Foi bom, foi legal. Tá, foi ótimo. A hidro nunca mais será a mesma. A menina parecia que já tinha planejado aquilo na cabeça dela há algum tempo. Não que na minha cabeça eu também não tivesse pensado, mas sei lá. Ela deixou umas duas unhas nas minhas costas e outras marcas espalhadas em mim.
No dia seguinte a gente não se falou, apenas trocamos uma mensagem. Eu disse que tinha gostado, ela respondeu que também e ficou por isso. Durante a semana a gente se esbarrou pelo trabalho, nos falamos normalmente, mas como se nada tivesse acontecido. Quando eu perguntei, durante uma conversa só nós dois, se a gente podia repetir, ela disse:
- Quem sabe? Por agora não. Já matei minha vontade. - e me de um beijo no canto da boca.
É, acho que ela só queria me comer mesmo. É difícil estar do outro lado, né? Tantos homens que dispensam mulheres depois de conseguir o que querem, é estranho ser o outro lado da moeda. Acontece. Pelo menos ela fez uma propaganda. O encontro com ela rendeu um outro encontro, com a prima dela.
Só que aí já é uma história pra outro dia. E que dia.
[Para mais textos de Gustavo Lacombe, https://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos]










quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Maldita Porta Azul Com Branco (Final!)

  Eu estava a poucos passos da porta azul com alguns detalhes em branco, maldita porta azul que impedia que eu visse algo já sabia. Fiquei de frente para porta, pude escutar sussurros, não sabia como iria reagir, mas eu deveria abrir a porta...Resolvi olhar pelo buraco da fechadura.

  Eu já não conseguia segurar as lagrimas, a cena que estava vendo foi me machucando, fui sangrando por dentro. Lá estava ela, de costas para a porta em cima de alguém que com certeza era Marcus, ele passava a mão no corpo que eu tanto desejei, ela o beijava, ele pegava no seu cabelo cheio de ondas que estava jogado por cima dos ombros. Eu queria estar nessa cena, eu queria estar ali.
  Os próximos fatos aconteceram um pouco rápido demais. Eu começo a descer as escadas. Ela aparece com seu sorrisinho lindo e me pergunta onde fica o banheiro. Subo de novo. Entro porta a dentro. Maldita porta azul que me enganara. Com um pulo bem rápido, a antiga Luiza sai de cima de Marcus, ele levanta com uma cara de questionamento e raiva. Demoro alguns instantes para ver que a que estava em cima de Marcus não era a Luiza. Não era a minha Luiza. A Luiza do Marcus saiu do quarto correndo. Minha Luiza entra atras de mim e pergunta: :"O que ta acontecendo Paulo?", Marcus faz a mesma pergunta incrédula. Abraço Luiza, a Luiza verdadeira, neste momento eu choro, mas de alegria, a vergonha veio depois de alguns instantes, mas naquele momento eu só queria sentir Luiza, e deixar claro para meus olhos, meus sentidos que tudo tinha sido um baita engano.

  Acordei ao som de "Next To Me" da Emeli Sandé, que eu programara no fim daquela noite constrangedora e animada. Ao fim, nenhum deles entendeu o que realmente me levou a entrar porta a dentro e acabar com o climão que Marcus tinha conseguido. Nem Luiza entendeu o porque de eu chorar na escada e depois chorar abraçando ela. Isso com certeza não é certo de se fazer perto da garota que se ama. Mas eu ainda tinha todo um resto de domingo para aproveitar e tentar concertar parte do "climão" que eu tinha conseguido ontem.
  Comecei pela casa de Marcus, encontrei ele logo na frente do quintal, com alguns, muitos, sacos de lixo. Cumprimentei apenas com um aperto de mão, e sem saber o que dizer comecei a ajudar a colocar o lixo todo na lixeira tamanho GGGGGGG que ele tinha conseguido. Permanecemos assim por algum tempo. Quem quebrou o gelo foi ele.

  — Não precisa se desculpar mais.
  — Quem disse que eu vim aqui para me desculpar? — Perguntei meio constrangido por ele ter sacado tão rápido meu objetivo ali.
  — Seria o certo, se quer saber! Mas acho que consegui entender parte do drama. — Ele disse isso com um sorriso. — Não sabia que com a Luiza era isso tudo. Por que não me disse?
  — Sei lá. — Dei ombros.
  — Já disse pra ela?
  — Não. Ainda não.

  Então como sempre ele me convenceu a fazer algo que eu queria ter um pouco mais de tempo, mas fui em direção a casa de Luiza, chegando na frente mandei um SMS pedindo pra que ela saísse para conversarmos.

                                                                           ...

  Me declarei, mostrei todos meus sentimentos em palavras lindas, mesmo tendo gaguejado um pouco. Ela ficou um pouco constrangida, disse que não poderia ficar comigo. Depois de algum tempo de insistência ela revelou que já esta se relacionando com um cara, e que gosta muito dele. Dei um beijo na bochecha, pensei em roubar um beijão, mas não faz muito meu estilo. Fui embora pra casa. Não minto, cairam algumas lagrimas doloridas. Verdade seja dita, sou um baita chorão. Mas fiquei bem, depois expliquei tudo para Marcus pelo messenger. Até que minha mãe gritasse lá da cozinha:
  — Marcus, ainda não lavou a louça? Hoje é seu dia de fazer isso!
  — Saco! — Com toda certeza eu disse isso bem baixo, para que ela não escutasse.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Maldita Porta Azul com Branco (Parte 1)

  — Não! Não vou fazer isso! — Respondi extremamente convencido.
  — Haaaa para, o que tem? É basicamente só um "oi"! - Marcus contra-atacou.
  — Aí que raiva de você, mas beleza. Vou lá.
  Caminhei até o grupo de meninas que estava a alguns passos de nós, logo perto da porta de entrada do refeitório. Minhas mãos suavam, meu corpo inteiro se contraia pelo medo imerso no mar de vergonha em que eu estava. Mas respirei fundo, cheguei ao lado dela, gaguejei um pouco mas enfim consegui.
  — Érrrmmm... Oi, sou Paulo, do ultimo ano... —O que eu realmente queria neste momento era fugir, correr, me enterrar feito um furão.
  — Oi? — Respondeu ela esperando pelo o que eu tinha a dizer, suas amigas já estavam aos cochichos e risadinhas.
  — Eu estava pensando, você não está afim de ir à uma festa comigo? Aqui no bairro! - Já não sentia minhas pernas.
  Ela olhou para as amigas, abaixou a cabeça, se arrependimento matasse eu realmente estaria morto agora.
  — Quando? — Não acreditava que ela estava me perguntando isso. Por algum tempo repensei na possibilidade de sair correndo.
— Sábado anoite, a festa de é de um amigo meu... — Expliquei onde seria a festa, horário e tudo o mais. Ela disse que sim. Ela vai. Ela vai em uma festa comigo!

  Acordei com o beep do despertador, permaneci por algum tempo embaixo da coberta. Não podia acreditar que já haviam se passado dois dias e que finalmente chegou o momento, a festa é hoje, e Luiza vai.
  Depois de lembrar isso, saltei da cama, escovei os dentes, arrumei o cabelo, me olhei no espelho e pensei, "Putz! Vou ter um trabalhão mais tarde.". Definitivamente não sou o cara mais bonito e popular do colégio, sou alto, não muito. Não sou gordo, e também não sou magro. Acredito que eu seja normal, nunca fiz sucesso com as garotas, talvez porque eu seja um pouco tímido com elas, já mudei algumas vezes o corte de cabelo na esperança de que fosse resolver, mas acho que o maior problema mesmo é a timidez. Mas quero deixar claro que também não sou o feio branquelo e sem músculos daquela escola. Tenho cor, um moreno pardo.
  Desci as escadas, e quando pensei em ir ver o que tinha para comer, o celular vibra. Mensagem de Marcus.


  "Vc vem hoje neh?"

  "Vou sim! To animado." — Respondi.

  "Luiza vem?"

  "Sim."
  "Preciso conversar com vc!"

  Terminei de comer, liguei o computador, quase todos estavam confirmando presença hoje! Menos ela. Fiquei um pouco tenso, mas se ela disse que sim, então é SIM!
  Durante todo dia pensei sobre a festa, ensaiei o que iria falar quando visse ela, só não podia dar uma de gago justo hoje. Já eram 16h30, tínhamos marcado de chegar as 18h. Eu já havia escolhido a roupa, até as meias, mas fiz questão de checar tudo umas dez vezes. Tomei banho, me arrumei, olhei no mesmo espelho de hoje cedo. "Nada mal."
  Enquanto eu esperava Ela, no lugar marcado, próximo da casa de Marcus, pensava em me declarar, dizer todo o amor que venho sentindo a alguns meses, e que não tive coragem de dizer ainda. Amor daqueles que se acorda no meio da noite sentindo falta de uma pessoa que nunca esteve ali, amor que treme só de ver a pessoa ao longe, amor que se sorri só de lembrar de algum acontecimento. Eu iria dizer isso pra ela. "LUIZA EU TE AMO, TE AMO COMO NUNCA AMEI ALGUÉM, TE AMO MUITO, MUITO, E SEMPRE TE AMEI, MESMO ANTES DE NASCER."
  Já eram 18h35, quando não me restavam mais esperanças, ela vira a esquina, deslumbrante, cabelos negros soltos aos ombros, um vestido preto com algumas pedrinhas que descia até a metade das coxas, olhos marcantes que estavam marcados de preto, uma boca rosa, e que boca... Já mencionei o vestido que ia até a metade das coxas?
  Quando ela chegou perto pude sentir o doce perfume que deixara rastro pela rua.
  — V-V-Você esta linda. - Maldita gagueira, quem foi o filho da puta  mãe que inventou os gagos?
  — Haa que isso? Brigada, você esta bem fofo! 
  Caminhamos até a casa de Marcus, entramos, já havia algumas pessoas, estava tocando "You're Love Is My Drug" no ultimo volume, ele veio nos receber e logo nos apresentou a todos, e pediu para que algumas colegas mostrassem o resto da casa para Luiza que nunca havia estado lá. Durante este meio tempo a sós, ele diz bem entusiasmado: "Tenho teclado com Ela por esses dias."
  Não pude deixar de sentir um frio na barriga ao ouvir isso, ele ainda não sabia exatamente que eu gostava dela, gostava não! Amava. E muito.
  — Mas e aí? Você acha que rola? — Exitei um pouco em perguntar, mas deveria saber.
  — Pra ser sincero, nem sei. Mas seria muito bom, ela é realmente muito linda.
  — É né... — Não sabia o que falar, mas não precisei muito pois lá estava ela vindo, linda, deslumbrante. Marcus deu uma piscadela, sinalizando para eu não dizer nada sobre isso.
  Aos poucos foram chegando muitos convidados, a maioria da escola, mas também tinham alguns do bairro, outros dos cursos que Marcus fazia, alguns amigos do irmão dele, e mais uma multidão de pessoas que eu não conhecia. As luzes estavam bem baixas, a música bem alta, momento propicio para se chegar em uma garota, e tal.
  Em pouco tempo já estávamos nos sentindo em casa. Pulamos, dançamos, zuamos, conversamos, e eu não podia deixar de olhar para Luzia... Como era linda... Os cabelos negros que hoje estavam mais lisos do que nunca, contornavam seu rosto e desciam até abaixo de seu pescoço... A forma como ela dançava, se mexia... Até que Pedro chegou oferecendo algum liquido suspeito.
  Não sou de beber, mas ele garantiu que não era álcool, então bebi. Realmente não era! Era amargo, cor de xixi, era energético. Conversamos um pouco, ele me levou pra conhecer um pessoal que havia encontrado chegando à festa. Me distrai bastante, conversamos por um bom tempo até que eu lembrei que não sabia onde estava a Luiza...
  Comecei a procurar Ela por todo o canto, rodei todo o comodo que estávamos, dei uma olhada do lado de fora, e nada de eu achar Luiza. Quando entrei de novo na casa, perguntei a um grupo, mais ou menos de 4 ou 5 garotos e garotas, se haviam visto ela. Um garoto de franja escorrida, alto e bem magro foi falando...
  — Acho que vimos sim, subiu numa festinha intima. — Respondeu isso apontando pra escada. Quando viu que eu já estava a caminho da escada disse: "Se eu fosse você não subiria!"... Tarde demais.
  A cada degrau que fui subindo, parecia que a temperatura caia alguns graus. Não conseguia dar um basta nos pensamentos maldosos que invadiam minha cabeça. Eu havia subido pouquissimas vezes ao andar de cima, mas podia lembrar em qual das portas estava o quarto de Marcus, e direto pra lá fui.

(...Continua...)