— Não! Não vou fazer isso! — Respondi extremamente convencido.
— Haaaa para, o que tem? É basicamente só um "oi"! - Marcus contra-atacou.
— Aí que raiva de você, mas beleza. Vou lá.
Caminhei até o grupo de meninas que estava a alguns passos de nós, logo perto da porta de entrada do refeitório. Minhas mãos suavam, meu corpo inteiro se contraia pelo medo imerso no mar de vergonha em que eu estava. Mas respirei fundo, cheguei ao lado dela, gaguejei um pouco mas enfim consegui.
— Érrrmmm... Oi, sou Paulo, do ultimo ano... —O que eu realmente queria neste momento era fugir, correr, me enterrar feito um furão.
— Oi? — Respondeu ela esperando pelo o que eu tinha a dizer, suas amigas já estavam aos cochichos e risadinhas.
— Eu estava pensando, você não está afim de ir à uma festa comigo? Aqui no bairro! - Já não sentia minhas pernas.
Ela olhou para as amigas, abaixou a cabeça, se arrependimento matasse eu realmente estaria morto agora.
— Quando? — Não acreditava que ela estava me perguntando isso. Por algum tempo repensei na possibilidade de sair correndo.
— Sábado anoite, a festa de é de um amigo meu... — Expliquei onde seria a festa, horário e tudo o mais. Ela disse que sim. Ela vai. Ela vai em uma festa comigo!
Acordei com o
beep do despertador, permaneci por algum tempo embaixo da coberta. Não podia acreditar que já haviam se passado dois dias e que finalmente chegou o momento, a festa é hoje, e Luiza vai.
Depois de lembrar isso, saltei da cama, escovei os dentes, arrumei o cabelo, me olhei no espelho e pensei, "Putz! Vou ter um trabalhão mais tarde.". Definitivamente não sou o cara mais bonito e popular do colégio, sou alto, não muito. Não sou gordo, e também não sou magro. Acredito que eu seja normal, nunca fiz sucesso com as garotas, talvez porque eu seja um pouco tímido com elas, já mudei algumas vezes o corte de cabelo na esperança de que fosse resolver, mas acho que o maior problema mesmo é a timidez. Mas quero deixar claro que também não sou o feio branquelo e sem músculos daquela escola. Tenho cor, um moreno pardo.
Desci as escadas, e quando pensei em ir ver o que tinha para comer, o celular vibra. Mensagem de Marcus.
"Vc vem hoje neh?"
"Vou sim! To animado." — Respondi.
"Luiza vem?"
"Sim."
"Preciso conversar com vc!"
Terminei de comer, liguei o computador, quase todos estavam confirmando presença hoje! Menos ela. Fiquei um pouco tenso, mas se ela disse que sim, então é SIM!
Durante todo dia pensei sobre a festa, ensaiei o que iria falar quando visse ela, só não podia dar uma de gago justo hoje. Já eram 16h30, tínhamos marcado de chegar as 18h. Eu já havia escolhido a roupa, até as meias, mas fiz questão de checar tudo umas dez vezes. Tomei banho, me arrumei, olhei no mesmo espelho de hoje cedo. "Nada mal."
Enquanto eu esperava Ela, no lugar marcado, próximo da casa de Marcus, pensava em me declarar, dizer todo o amor que venho sentindo a alguns meses, e que não tive coragem de dizer ainda. Amor daqueles que se acorda no meio da noite sentindo falta de uma pessoa que nunca esteve ali, amor que treme só de ver a pessoa ao longe, amor que se sorri só de lembrar de algum acontecimento. Eu iria dizer isso pra ela. "LUIZA EU TE AMO, TE AMO COMO NUNCA AMEI ALGUÉM, TE AMO MUITO, MUITO, E SEMPRE TE AMEI, MESMO ANTES DE NASCER."
Já eram 18h35, quando não me restavam mais esperanças, ela vira a esquina, deslumbrante, cabelos negros soltos aos ombros, um vestido preto com algumas pedrinhas que descia até a metade das coxas, olhos marcantes que estavam marcados de preto, uma boca rosa, e que boca... Já mencionei o vestido que ia até a metade das coxas?
Quando ela chegou perto pude sentir o doce perfume que deixara rastro pela rua.
— V-V-Você esta linda. - Maldita gagueira, quem foi o filho da puta mãe que inventou os gagos?
— Haa que isso? Brigada, você esta bem fofo!
Caminhamos até a casa de Marcus, entramos, já havia algumas pessoas, estava tocando "You're Love Is My Drug" no ultimo volume, ele veio nos receber e logo nos apresentou a todos, e pediu para que algumas colegas mostrassem o resto da casa para Luiza que nunca havia estado lá. Durante este meio tempo a sós, ele diz bem entusiasmado: "Tenho teclado com Ela por esses dias."
Não pude deixar de sentir um frio na barriga ao ouvir isso, ele ainda não sabia exatamente que eu gostava dela, gostava não! Amava. E muito.
— Mas e aí? Você acha que rola? — Exitei um pouco em perguntar, mas deveria saber.
— Pra ser sincero, nem sei. Mas seria muito bom, ela é realmente muito linda.
— É né... — Não sabia o que falar, mas não precisei muito pois lá estava ela vindo, linda, deslumbrante. Marcus deu uma piscadela, sinalizando para eu não dizer nada sobre isso.
Aos poucos foram chegando muitos convidados, a maioria da escola, mas também tinham alguns do bairro, outros dos cursos que Marcus fazia, alguns amigos do irmão dele, e mais uma multidão de pessoas que eu não conhecia. As luzes estavam bem baixas, a música bem alta, momento propicio para se chegar em uma garota, e tal.
Em pouco tempo já estávamos nos sentindo em casa. Pulamos, dançamos, zuamos, conversamos, e eu não podia deixar de olhar para Luzia... Como era linda... Os cabelos negros que hoje estavam mais lisos do que nunca, contornavam seu rosto e desciam até abaixo de seu pescoço... A forma como ela dançava, se mexia... Até que Pedro chegou oferecendo algum liquido suspeito.
Não sou de beber, mas ele garantiu que não era álcool, então bebi. Realmente não era! Era amargo, cor de xixi, era energético. Conversamos um pouco, ele me levou pra conhecer um pessoal que havia encontrado chegando à festa. Me distrai bastante, conversamos por um bom tempo até que eu lembrei que não sabia onde estava a Luiza...
Comecei a procurar Ela por todo o canto, rodei todo o comodo que estávamos, dei uma olhada do lado de fora, e nada de eu achar Luiza. Quando entrei de novo na casa, perguntei a um grupo, mais ou menos de 4 ou 5 garotos e garotas, se haviam visto ela. Um garoto de franja escorrida, alto e bem magro foi falando...
— Acho que vimos sim, subiu numa festinha intima. — Respondeu isso apontando pra escada. Quando viu que eu já estava a caminho da escada disse: "Se eu fosse você não subiria!"... Tarde demais.
A cada degrau que fui subindo, parecia que a temperatura caia alguns graus. Não conseguia dar um basta nos pensamentos maldosos que invadiam minha cabeça. Eu havia subido pouquissimas vezes ao andar de cima, mas podia lembrar em qual das portas estava o quarto de Marcus, e direto pra lá fui.
(...Continua...)